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CDHU: entenda como funciona o programa Vida Longa em SP

O Governo de São Paulo já entregou 1.262 unidades habitacionais por meio do Programa Vida Longa, iniciativa voltada a pessoas com 60 anos ou mais que vivem em situação de vulnerabilidade social. A política habitacional busca oferecer não apenas moradia gratuita, mas também espaços de convivência, segurança e acesso à rede de serviços públicos.

CDHU
Divulgação

Um estudo realizado para analisar o programa traçou o perfil dos moradores atendidos e avaliou aspectos como renda, localização dos empreendimentos, características demográficas e participação dos idosos no mercado de trabalho.

Atualmente, o Vida Longa soma 53 convênios contratados em municípios paulistas.

Quem pode morar no Vida Longa?

O programa é destinado a idosos que atendam a critérios específicos de vulnerabilidade e autonomia. Entre as condições previstas estão:

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  • Ter 60 anos ou mais;
  • Estar em situação de vulnerabilidade ou risco social;
  • Ter vínculos familiares fragilizados;
  • Ser independente para realizar as atividades da vida diária;
  • Ter renda mensal de até dois salários mínimos;
  • Estar dentro dos critérios definidos para atendimento socioassistencial do município.

A moradia é gratuita para os beneficiários.

A indicação dos moradores é feita pelas prefeituras participantes, que também ficam responsáveis pela gestão e manutenção dos empreendimentos depois da conclusão das obras.

Perfil dos moradores

O levantamento aponta que a idade média dos beneficiários é de 69,6 anos. Do total, 58% são homens e 42% são mulheres.

Outro dado chama atenção: 9,52% dos moradores atendidos são pessoas que anteriormente estavam em situação de rua.

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A pesquisa também identificou que quase metade dos empreendimentos está localizada em áreas periféricas. Ao todo, 49% dos conjuntos ficam em regiões periféricas e 69% estão em bairros residenciais.

Renda média dos beneficiários

A renda dos moradores varia conforme o município. Considerando todos os empreendimentos analisados, a média chega a R$ 1.589,79.

Entre as cidades com maiores rendimentos médios dos beneficiários estão:

  • Santa Bárbara d’Oeste: R$ 2.047,58;
  • Barretos: R$ 1.877,41;
  • Tietê: R$ 1.860,91;
  • Garça: R$ 1.839,21.

Os valores permanecem dentro do limite de renda estabelecido pelo programa.

Como funciona o programa?

O Vida Longa foi criado para funcionar como uma espécie de moradia assistida, combinando habitação gratuita com convivência comunitária e acompanhamento da rede socioassistencial.

Os conjuntos são planejados para idosos que conseguem realizar suas atividades cotidianas de forma independente, mas que apresentam fragilidade nos vínculos familiares e situação de vulnerabilidade.

A proposta também busca evitar o isolamento social, criando ambientes compartilhados e estimulando a convivência entre os moradores.

Programa substituiu o antigo Vila Dignidade

O Vida Longa é resultado da reformulação do programa Vila Dignidade, criado em 2009.

Durante o período de funcionamento da iniciativa anterior, foram entregues 18 empreendimentos, totalizando 356 unidades.

Em 2019, o programa passou por mudanças e adotou o nome Vida Longa. Até o final de 2022, cinco novos empreendimentos haviam sido entregues, somando 118 unidades.

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A partir de 2023, a política recebeu novos investimentos e ganhou ritmo de expansão. Em dois anos, foram entregues 22 conjuntos, beneficiando 580 idosos.

Quanto custa cada moradia?

O levantamento também analisou os custos de construção das unidades.

Em 2025, o custo médio por unidade habitacional foi de aproximadamente R$ 200 mil. Nos anos anteriores, a média havia sido de R$ 207 mil em 2024 e R$ 196 mil em 2023.

Como o município participa?

Para receber um empreendimento do programa, o município participante tem algumas responsabilidades. Entre elas estão a indicação dos beneficiários e a disponibilização do terreno onde o conjunto será construído.

Depois da conclusão das obras, a prefeitura assume a administração e a manutenção do espaço, além de articular os serviços necessários com a rede pública local.

O governo estadual participa por meio de diferentes órgãos, responsáveis por etapas como financiamento, elaboração dos projetos, contratação e fiscalização das obras e definição das diretrizes socioassistenciais.

Experiências em outros países

O estudo também comparou o Vida Longa com modelos de habitação para idosos existentes no Brasil e no exterior.

Entre os exemplos internacionais analisados está o Appleby Blue, em Londres, empreendimento com 55 unidades que recebeu reconhecimento arquitetônico em 2025.

Outro modelo citado é o De Drie Hoven, em Amsterdã, que combina moradia, espaços coletivos e serviços de saúde. A estrutura permite diferentes níveis de assistência dentro de um mesmo complexo.

Também foi analisado o De Overloop, em Almere, nos Países Baixos, que reúne moradores com diferentes graus de autonomia e possibilita mudanças no nível de cuidado sem a necessidade de abandonar o empreendimento.

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No Brasil, a pesquisa considerou experiências como as Repúblicas para Idosos, em São João da Boa Vista, o Conjunto Habitacional para Melhor Idade, em Tupã, o projeto Brasil 500 Anos, em Tarumã, e o programa Cidade Madura, da Paraíba.

Como funciona a seleção?

Não se trata de uma vaga de emprego ou de um benefício com inscrição aberta diretamente ao público em todo o estado. A participação depende da implantação do programa no município e da seleção realizada pela prefeitura.

As administrações municipais participantes identificam os idosos que atendem aos critérios e encaminham os beneficiários para as unidades disponíveis.

Resumo do Programa Vida Longa

  • Programa: Vida Longa
  • Público: pessoas com 60 anos ou mais
  • Moradia: gratuita
  • Renda: até dois salários mínimos
  • Perfil: idosos independentes para atividades diárias, em situação de vulnerabilidade e com vínculos familiares fragilizados
  • Unidades entregues: 1.262
  • Convênios contratados: 53
  • Idade média dos beneficiários: 69,6 anos
  • Salário: não se aplica, pois não é uma oportunidade de emprego
  • Prazo de inscrição: não há prazo estadual único informado; a seleção ocorre conforme a implantação do programa e os procedimentos de cada município
  • Como participar: procurar a prefeitura ou a rede municipal de assistência social para verificar a existência do programa e os critérios de seleção na cidade

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Por Roberta Bertoli

Roberta Bertoli atua na produção de conteúdos sobre concursos públicos, empregos e benefícios sociais, com foco na análise de editais, prazos e atualizações oficiais. No Auxílio Concursos, acompanha diariamente publicações de órgãos públicos e divulga informações organizadas e verificadas para ajudar candidatos e trabalhadores a não perderem oportunidades.